Ato-Show em solidariedade aos estudantes processados por torturador em Sergipe




Quando só se esperava da juventude a sua quota-parte no consumo desenfreado, surgiu o anúncio: é tempo de reescrevermos nossa história. É preciso contá-la pela ótica dos(as) brasileiros(as) que, de fato, lutaram pela liberdade.

Essa, sem dúvida, foi a marca impingida pelo movimento Levante Popular da Juventude quando realizou/realiza os escrachos. Anunciou-se o repúdio contra os que se regozijaram com a ditadura, contra a liberdade. Mais: foram escrachados os que, além de apoiarem o golpe, torturaram seus opositores ou quaisquer acusados.
No Brasil, inúmeros foram os escrachos e os apoios respectivos. Muitos também foram os denunciados. Em regra, no máximo, esses “lesas-pátrias” espernearam em seus meios de comunicação privados. Afinal, hoje, o status de torturador não lhes confere legitimidade; é inoportuno.
Em Sergipe, no entanto, fez-se a exceção. O torturador denunciado, o médico Dr. José Carlos Pinheiro, acreditou ser possível apagar seu passado processando alguns estudantes que o denunciaram. Acreditou, ainda, na covardia dos torturados, na conivência das instituições e na intimidação das manifestações populares.
Os torturados – para ele – ocultariam suas próprias histórias e sucumbiriam ante suas pressões marginais. As instituições, por sua vez, notadamente o Judiciário, dada a influência de sua família, o tomaria como “amigo do rei”. O povo, nesse compasso, sequer saberia que o diretor do Hospital e Maternidade Santa Isabel foi servil às torturas.
Entretanto, os torturados não são covardes, pois já há alguns pronunciamentos (especialmente de Marcélio Bomfim) na blindada mídia sergipana, e as manifestações populares só aumentaram. Quanto às instituições, acredita-se que as participações da OAB (da qual o sergipano Cezar Britto fora recentemente presidente) e da Comissão Nacional da Verdade – já oficialmente comunicadas –, dentre outras, como o Ministério Público Federal, são fundamentais, inclusive para garantia da lisura do processo e dos procedimentos judiciais.
Ao tempo em que o caso tem como palco o tribunal, seu cenário é mais amplo e exige o envolvimento do máximo de atores possível.
Nesse sentido, o próprio Levante Popular da Juventude, a CUT, sindicatos, outros movimentos sociais, partidos políticos e mandatos populares organizam um Ato-Show, para o dia 05 dezembro de 2012, em solidariedade aos estudantes processados e em homenagem aos 101 anos de Carlos Marighella. O evento contará com a participação de João Pedro Stédile(coordenação nacional do MST), ex-presos políticos, artistas e bandas musicais (os sergipanos Chico Queiroga e Antônio Rogério, Heitor Mendonça,  Alex Sant'Anna, Lupécio Damasceno, a banda Alunte e muito mais; do Rio Grande do Sul, Pedro Munhoz).
Assim como os escrachos, esse é mais um momento de luta pelos direitos à memória, verdade e justiça. Com manifestações desse tipo, reescreve-se a história dos jovens que outrora lutaram por liberdade e destaca-se que os apelos do consumo não esgotam o sentido da luta da juventude pela liberdade.







Pelo direito à memória, à verdade e à justiça! Para que não se esqueça; Para que nunca mais aconteça!

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